Chaves está situada no denominado Alto de Trás-os-Montes, pertence ao Distrito de Vila Real, com quem faz fronteira a Sul, distanciando desta capital de distrito em 60 km. A Norte faz fronteira com a região espanhola da Galiza, mais concretamente com a província de Ourense, e distancia-se da primeira localidade espanhola (Feces de Abajo) em 10 km.
Constitui conjuntamente com Boticas, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar, Montalegre e Ribeira de Pena, o Agrupamento de Municípios do Alto Tâmega.
O clima é do tipo húmido atlântico, muito frio no Inverno e um Verão seco e quente, como o comprova a sabedoria milenar do povo flaviense, através do provérbio “nove meses de Inverno e três de inferno.”
Chaves é herdeira de um património recheado de contactos com povos e culturas ao longo da sua história. Vestígios do Neolítico, do Calcolítico e da Idade do Ferro, fazem parte do seu passado histórico, como o demonstram as estações arqueológicas de Mairos, Pastoria, Outeiro Machado, entre outras, e todo o espólio exposto no Museu da Região Flaviense. Quarenta e três castros testemunham, também, que esta região foi habitada pela civilização celta, com as suas normas socioculturais, habitacionais, de defesa e vigia. Ainda hoje, as lendas associadas a estes castros, sobre as mouras encantadas e os tesouros escondidos, fazem parte do imaginário identitário e relacional do povo flaviense.
Mas os tempos áureos desta Cidade remontam ao ano 78 da Era de Cristo, quando junto à nascente de águas quentes, o Imperador Tito Flávio Vespasiano batizou o povoado encontrado, com o nome de Aquaeflaviae. Do Império romano restam muitos testemunhos, com destaque para a Ponte Romana de Trajano, o nosso “ex-líbris”, construída entre os anos de 98 e 104 da Era Cristã e para as piscinas romanas.
A romana AquaeFlaviae convertida em Chaves medieval cresceu, amadureceu e foi elevada a cidade no ano de 1929, através do Decreto n.º16.621 do Diário do Governo.
Chaves desde sempre soube aproveitar a sua estratégica e privilegiada localização geográfica, as suas estâncias termais, os seus monumentos como o Castelo de Monforte de Rio Livre, o Castelo de Santo Estêvão, a Torre de Menagem do Castelo de Chaves, os Fortes de São Francisco e São Neutel, as Igrejas de Nossa Senhora da Azinheira, da Misericórdia e de São João da Castanheira, as Capelas da Granginha e de São Julião, as calçadas romanas de São Lourenço e de Sanjurge, a Pedra da Bolideira, entre muitos outros. É necessário referir, também, o seu património natural, a sua gastronomia (presunto, enchidos, folar, pasteis, vinhos e jeropigas de Ribeira de Oura, Anelhe, Arcossó, Cova Ladrão e Vilela Seca) e a sua etnografia, como o artesanato (olaria - Vilar de Nantes; cestaria - Vilar de Nantes, Izei, Vilela do Tâmega, Samaiões e Sesmil; tecelagem - Soutelo e Tresmundes; escultura religiosa - Seara Velha). O folclore, a religiosidade popular (festas e romarias anuais), a medicina popular, as superstições, cantigas, orações, contos, lendas, anedotas, provérbios, adivinhas, músicas, usos, costumes, mitos e ritos associados às tarefas quotidianas deste povo, que com muito orgulho preserva a cultura que herdou socialmente, como guardião destas tradições genuínas.